E eis que defendo a dissertação e me sinto de férias! Estou ainda com quatro turmas e cinco alunos particulares, mas é como se eu não tivesse nada... Bem, o negócio é curtir. Pretendo ver esse finde o filme Across the universe, pois meus alunos já falaram milhões de vezes e tenho até mesmo um aluno particular que queria aprender inglês só ouvindo as músicas dos Beatles. Também não é pra tanto né, hehehe. Convenci-o de trabalharmos duas músicas por aula, mas também fazermos um pouco de conversação e um tópico de gramática por aula. Tem sido muito divertido, pois assim também tenho conhecido as letras das músicas dos Beatles e ainda sou paga pra isso!
Hoje eu fui atravessar a rua e do meu lado tinha um cara de uns 50 anos. Do outro lado da rua, caminhava um senhor de uns 70 e poucos, acho. Daí os carros passavam e o senhor do outro lado da rua se distanciava. Então o senhor do meu lado gritou: "- Paiê! Paiê!" O senhor do outro lado olhou pra trás e esperou. Um carro parou porque viu que queríamos atravessar. Quando chegamos do outro lado da rua, o mais novo falou para o mais velho: "- Para não ficarmos depois falando por telefone, eu vou até ali contigo...". Achei legal, hehehe (que sentimental). Legal porque pensei que, durante toda a vida dele, provavelmente o cara esteve com o pai dele. Mesmo depois dos 50, continuavam conversando por telefone. Não converso com meu pai por telefone. Às vezes nem pessoalmente. Tenho metade da vida do cara. Há quase um ano me mudei. Meu pai só veio no meu apartamento quando deixou aqui as caixas da mudança. Ok, não digo que seja a melhor coisa da vida sentir isso, mas também já não fico triste por isso. So ist das Leben. Não imagino com 50 anos chamando meu pai e conversando com ele por telefone. Até porque, não imagino que meu pai esteja vivo até lá. Do jeito que vai a coisa, não sei nem se meu pai vai ter a oportunidade de conhecer meus filhos.
Mas o bom disso é que antes isso me magoava e eu tinha um sentimento de que era incapaz de viver algum dia isso. Mas hj percebo que posso não ter tido a oportunidade de ter vivido isso como filha, mas viverei certamente como mãe. Antes constituir uma família estava tão longe, como se um destino familiar tivesse sido traçado e a única coisa que me restava era segui-lo, que não havia escolha para mim, que eu não era capaz de fazer diferente. Mas hj tenho certeza que irei constituir uma família, linda, amada e serei uma mãe dedicada. E quando meus filhos tiverem 50 anos, eles irão chamar mãe do outro lado da rua e nós ainda estaremos nos falando por telefone. Quero um destino diferente pra mim, quero uma nova história. E sei que estou conseguindo. Bingo! Viva a terapia!



